PCP condena <br>cinismo do Governo
Num almoço CDU, realizado no domingo na Escola Secundária da Sé, na Guarda, Jerónimo de Sousa criticou o acto de «cinismo e descaramento» do Governo, e dos partidos que o sustentam (PSD e CDS), ao terem assinalado em Guimarães, no sábado, um ano de independência do País e da troika.
«Eles – que não só assinaram o acto de rendição à troika sem o mínimo de dignidade patriótica, como tudo fizeram para tornar essa decisão uma inevitabilidade – querem aparecer agora aos olhos dos portugueses como os grandes libertadores do País», afirmou.
Para ilustrar a situação, o Secretário-geral do PCP deu o exemplo da TAP, tendo salientado que «não há privatizações boas e más». «Não venha o PS com a proposta de privatizar aos bocadinhos! Com base nesta ideia foi-se a CIMPOR, a EDP, a PT. O PS deixa a porta do galinheiro aberta, o PSD põe a raposa lá dentro», destacou Jerónimo de Sousa, propondo uma «alternativa para a TAP», que passa pela recapitalização pública da companhia aérea.
Amputação de soberania
Jerónimo de Sousa referiu-se ainda ao facto de o Governo ter aprovado os programas Nacional de Reforma e de Estabilidade, mantendo o País «amarrado às imposições e orientações da União Europeia», que traduzem «uma inaceitável amputação de soberania» e desmentem «a propaganda mentirosa sobre a saída limpa do programa da troika».
«Estes programas mostram que Portugal não recuperou a sua soberania nem deixou de estar sob “protectorado”», reforçou, lembrando que «os mecanismos em vigor, no âmbito da Governação Económica, aliados ao Tratado Orçamental e às imposições da União Europeia, mantêm a submissão do nosso País às exigências da União Europeia e ao processo de aprofundamento de integração capitalista».
«O que mostram estes programas, para lá das manobras de mistificação e da falsa ideia da evolução parcial dos rendimentos roubados ao longo dos últimos anos, é a intenção de prolongar até 2020 a política de exploração e retrocesso imposta ao povo e ao País», acrescentou o Secretário-geral do PCP.